Fronteiras da Ciência

Fronteiras da Ciência

Você quis dizer: Brisa? – Google sobre Fronteiras da Ciência

Você quis dizer: Negacionismo? – Google sobre Fronteiras da Ciência

Você quis dizer: Corporativismo? – Google sobre Fronteiras da Ciência

Você quis dizer: Fundamentalismo? – Google sobre Fronteiras da Ciência

Você quis dizer: Racismo? – Google sobre Fronteiras da Ciência


Experimente também: Escravos turbinados com ervas anabolizantes – Sugestão do Google para Fronteiras da Ciência

Experimente também: Coisas que só a arqueologia acredita – Sugestão do Google para Fronteiras da Ciência

Experimente também: Teorias mais ignoradas pela ciência – Sugestão do Google para Fronteiras da Ciência

Citações:

“É perfeitamente possível subir os Andes com toras de madeira no lombo. Tu só tem que motivar os atletas.”

— Felipão, explicando seu plano pra ganhar da Alemanha no Mineirão

“Isso non ecziste!”

— Padre Quevedo, ao ouvir que blocos de andesito foram cortados cirurgicamente com ferramentas de cobre

“Sóóó..., a estrutura submersa foi talhada pelas ondas, pode crer?. A Mãe Natureza é caprichosa.”

— Murilo Pedra Rocha, geólogo, maconheiro poeta e surfista

“A Grande Pirâmide foi um túmulo. Só esqueceram de pôr o morto. Acontecia muito.”

— Dr. Zahi Hawass, maior egiptólogo do mundo

“Foram escravos com cordas que levantaram os blocos de mil toneladas.”

— Edurardo Terra, estudante de arqueologia, na prova de recuperação de física

“Daí eu dei uns pega no professor, e ele me passou.”

— Eduardo Terra, a um amigo

“Na Terra Plana tudo isso é possível.”

— Super Xandão, no programa "Vem pra Terra Plana"

“Essa teoria reflete um profundo racismo.”

— Um professor da USP, se referindo à teoria que nega que povos do Oriente Médio tenham conseguido construir uma bateria

“Não! Eu me referia à teoria dos Astronautas Antigos.”

— O mesmo professor da USP, desconcertado

“A madeira não era encantada. Só passou pela mão de ancestrais da família Stradivarius, a pedido do Faraó.”

— Dr. Zahi Hawass, mais convicto do que nunca

“Se eu concordar, é ciência. Se não, é pseudociência.”

— Luís XIV, inaugurando o método científico absolutista, ainda vigente hoje

“A fé move montanhas, que dirá pedras de mil toneladas.”

— Pastor Rodrigo Silva, arqueólogo, teólogo e criacionista jovem

“Eu levanto agora, em nome de Jesus se algúem doar um carro pra igreja.”

— Edir Macedo

“Eu levanto por uma moto e mais rápido do que ele.”

— Valdemiro Santiago, praticando a livre concorrência

“Aí, não parecem placas dorsais de estegossauro, parecem folhas da erva.”

— Murilo Rocha, palpitando em botânica aplicada à paleontologia

“Nossas especulações são científicas, porque somos cientistas, e um concorda com o outro.”

— Dr. Zahi Hawass, orientando seu aluno de mestrado

“Não era uma bateria, era um vaso, usado em magia negra, pode crer? Não gosto nem de lembrar...”

— Amigos de Murilo Rocha, apavorados

“Quando eu datei e vi que tinha 11 mil anos, eu comecei a chorar. To chorando até hoje. Minha vida acabou...”

— Eduardo Terra, bastante emocionado com a descoberta de Göbeklitepe

INTRODUÇÃO

As Fronteiras da Ciência são aquelas regiões nebulosas do saber, onde pouco se sabe, muito se inventa especula, e quase nada de novo se descobre por falta de vergonha na cara conservadorismo. Ao invés de expandirem o conhecimento, empurram novos achados para debaixo do tapete com o selo de “não relevante”, “obra da natureza”, “pseudociência” ou “racismo”.

Isso só é possível graças ao corporativismo modus operandi da ciência, no qual há um clube fechado em que uns concordam com os outros, se citam mutuamente, e até validam teorias pseudocientíficas especulativas. Um exemplo notável é o do Dr. Ronald Mallett [Ronald Mallett – Wikipédia], hoje professor emérito de física na Universidade de Connecticut – EUA, que defendeu sua tese de doutorado sobre a construção de uma máquina do tempo, com o intuito de voltar ao passado e salvar seu pai da morte (é verdade, não é o roteiro de De Volta para o Futuro 4). Anos depois, admitiu que era pseudociência furada. Mas, pra quem está fora do clube, não adianta descobrir uma pirâmide, vão dizer que é uma formação geológica natural feita pelo vento (ou por duendes hiperativos da era glacial), como fizeram com o Dr. Danny Hilman Natawidjaja [Danny Hilman Natawidjaja – Wikipédia]. Voltaremos a falar dele no fim deste artigo.

Sem a pretensão de exaurir o assunto e abordar todas as ciências, focaremos em duas ciências centrais: a arqueologia – a arte descobrir onde nossos ancestrais fizeram cocô, e onde estão os maiores túmulos do mundo, e a geologia – a arte de procurar pedras rochas, e ficar putos com quem chama elas de pedras. Ambos, arqueólogos e geólogos, são adeptos da escola de física fantasiosa do Dr. Mallett. Falaremos bastante disso.

A seguir, seguem alguns exemplos de quando arqueólogos e geólogos perderam as estribeiras:



PUMA PUNKU (BOLÍVIA)

Localizado a 3.850 metros de altitude, o sítio arqueológico de Puma Punku apresenta blocos de andesito — um pedregulho uma rocha extremamente dura — de até 130 toneladas, absolutamente idênticos, como se tivessem sido feitos industrialmente, em série, cortados com precisão milimétrica, ângulos retos perfeitos, furos uniformes e encaixes complexos em forma de H. Hoje, estes cortes só podem ser feitos com ferramentas elétricas – serras circulares diamantadas ou laser. Mas, a ciência arqueológica diz que foram feitos com ferramentas manuais de pedra e cobre (ferramenta mole e pedra dura, tanto bate até que...), por povos pré-incas, que arrastaram essas pedras de dezenas de toneladas com cordas, sem o uso da roda.

Aconteceu que um dia, o presidente Evo Morales descobriu que sua mulher o traíra com um arqueólogo, que estava na Bolívia pra estudar Puma Punku. Decidiu, então, ir à desforra: "Vou acabar com esses vagabundos, esses desgraçados desses arqueólogos. São todos iguais" – disse ele. Convocou, então, seus assessores, que lhe disseram: "É muito simples acabar com o arqueólogos. Eles são cheios de teorias furadas. Basta provar que estão erradas e acabar com a reputação deles." O presidente, então, convocou homens do exército boliviano e ordenou que provassem que aqueles pedregulhos aquelas belas rochas não podiam ser arrastadas com cordas. Assim foi feito, e viram que era impossível arrastar os blocos na base da força bruta.

Vendo isso, os arqueólogos ficaram muito preocupados. Alguns disseram: "Estão tentando descobrir uma coisa sem o nosso consentimento. Precisamos impedir."; enquanto outros diziam: "Heresia! Cancelem eles." Então, propuseram que as pedras foram deslizadas sobre troncos de árvores. Quando questionados sobre não crescerem árvores grandes na altitude daquela região, disseram: "Biologia e física são inúteis" "Eh, pera só um minutinho..."


Pré-incas em treinamento Saiyajin
Pré-incas em treinamento Saiyajin


Propuseram, então, que os pré-incas estavam fazendo um treinamento para se tornarem Super Saiyajins, pois queriam muito ficar loiros mais fortes. Obstinados, eles desciam diariamente 1000 metros de montanha (60 a 80 km de trilhas), cortavam as árvores e voltavam 1000 metros montanha acima carregando as toras de madeira no lombo. Tinha que ser no lombo, era parte do treinamento, e também porque na América não existiam animais de carga, como cavalos ou bois (experimente tentar fazer uma lhama puxar carga, caso não tenha nojo de saliva andina). Com isso, alguns conseguiram se tornar Super Saiyajins e voaram para Namekusei. Os que ficaram perceberam que não tinha o que fazer com aqueles pedregulhos aquelas rochas talhadas, embora arqueólogos digam que elas possam ter servido de tumba pra algum imperador (essa explicação sempre cola).

Os que ousaram duvidar dessa explicação perfeitamente científica foram tachados de racistas, por subestimarem a capacidade de povos não-europeus de ficarem loiros fazerem milagres, que violam as leis da física.


BAALBEK (LÍBANO)

No complexo megalítico de Baalbek, no Líbano, encontram-se três dos maiores blocos de pedra já usados em construções humanas. Com cerca de mil toneladas cada e 20 metros de comprimento, foram posicionados um sobre o outro, com encaixe perfeito. Blocos ainda maiores, com até 1600 toneladas, foram deixados na pedreira rocheira próxima (será que os geólogos chamam de rocheira mesmo? To confuso). Em cima desses blocos estão as ruínas do templo romano de Júpiter, embora os blocos sejam maiores e mais pesados do que qualquer coisa que os romanos (e os humanos) já fizeram. Na verdade, parece que os blocos já estavam lá quando os romanos chegaram, ou seja, não foram eles que empilharam (quando se duvida da capacidade de povos brancos europeus, você é o que? Anti-racista? Justiceiro?). Mesmo com tecnologia moderna, usando vários dos guindastes mais fortes do mundo, teríamos enorme dificuldade em levantar esses blocos sem que eles se partissem, e talvez não conseguíssemos posicioná-los um sobre o outro com tanta precisão.

Diante desse enigma, surgiram várias hipóteses pseudocientíficas. A primeira delas dava conta que Nero acordou um dia, e disse: "Tô entediado. Já toquei fogo em Roma, preciso de alguma coisa pra me alegrar. Já sei. Vo mandar construir um templo. Mas vo mandar eles fazerem do jeito mais difícil, ou melhor, impossível, só pra ver os caras se matando. Vai ser muito divertido." Ele só não contava que seus homens pediriam ajuda aos deuses, que em resposta enviariam uma legião composta por centenas de semideuses, incluindo Hércules, Aquiles e Perseu, além de todos os cavaleiros de bronze, prata e ouro, e a própria Atena supervisionando. Mesmo com essa força-tarefa divina, deu o que fazer, mas eles acabaram conseguindo. Ao final, Hércules teria dito: "Esse contou por, no mínimo, 10 trabalhos, viu Hera?"


Hércules e alguns Cavaleiros de Atena
Hércules e alguns Cavaleiros de Atena, supervisionados por Atena (na forma de lhama, uma de suas preferidas).



Outra hipótese muito interessante foi trazida pelo filósofo, poeta e discípulo de Mr. Satan, Super Xandão [Super Xandão – O Herói da Terra (plana)]; [Super Xandão no X (antigo Twitter)], que disse o seguinte: "Porque na Terra Plana, a densidade invertida pode ser invertida, assim invertendo a força da gravidade momentaneamente". Infelizmente, esse brilhantismo não foi muito bem aceito. Sacanagem.

Os arqueólogos mais tradicionais, entretanto, foram mais sóbrios e afirmaram que os romanos fizeram tudo com a força do braço escravo (que mediante chibatadas de incentivo pode fazer milagres), cordas, roldanas, e toras de madeira encantadas pelos deuses (imprescindíveis para suportar o peso de mil toneladas).

Seja como for, os blocos estão lá pra quem quiser admirar — ou duvidar. Pode ser uma ilusão da Casa de Gêmeos também.


O "ESTEGOSSAURO" DE ANGKOR WAT

No templo de Ta Prohm, em Angkor – Camboja, há um baixo-relevo que representa, na falta de um termo melhor, um estegossauro, com sua característica fileira de placas dorsais salientes. O relevo está entre figuras de animais reais, como veados e macacos, e data do século XII.

Absolutamente certos de que os povos do Camboja não podiam conhecer fósseis de dinossauros (e não tem nada de racismo nisso, só pra deixar claro), arqueólogos, geólogos, curiosos e jornalistas (pra fazer a divulgação das mentiras) se reuniram para tentar chegar a uma explicação plausível. Enquanto estavam desfrutando de uma erva, um deles, o geólogo Murilo Pedra Rocha, disse: "Aí, eu acho que isso não é um estegossauro, é um rinoceronte... Isso nas costas dele, é só uma decoração, pode crer? São folhas da erva. Se liga só, é a erva..." Ao que todos responderam: "Sóóóó... Pode crer. É a erva mesmo. Eles eram dos nossos." O arqueólogo Eduardo Terra ainda completou: "Pode crer, eu já vi isso antes. Tava estudando um templo lá na Etiópia, ow, tem umas erva da hora lá em. Daí tinha uns elefantes nas paredes. Daí acabou a erva. E quando eu tava indo buscar mais, o irmão lá da Etiópia falou: 'Cara, isso aí não são elefantes. Se liga só, são cavalos. Isso na frente deles, são cipós, e essas orelhas, são folhas de bananeira, pode crer? Os caras eram muito artistas, véio.' Daí nós investigamos, e descobrimos que fazia séculos que o povo da Etiópia pensava que eram elefantes. Locura né, veio?" Ao que todos responderam: "Sóóóó... Pode crer. Muito loco."

O animal de Angkor Wat
O animal de Angkor Wat, conforme concebido pelos maconheiros cientistas


No dia seguinte, depois que o efeito da erva passou, alguns propuseram uma explicação mais sóbria: aquele bicho era só um animal mitológico dos povos hindus, que construíram o templo, e essa história de estegossauro foi invenção dos criacionistas jovens, que queriam dizer que humanos e dinossauros coexistiram (foi daí que veio a "Família Dinossauro"). De fato, o animal parece mais um híbrido de estegossauro com rinoceronte, e talvez uma pitada de porco e lagarto.

O que não ficou explicado é: ao criar seu animal mitológico híbrido, de onde os hindus tiraram a ideia da fileira de placas dorsais salientes, que só vemos nos estegossauros (além das folhas de maconha palmeira, claro, que são idênticas)? Consigo até imaginar um arqueólogo dizendo: “Eles tiveram uma brisa um sonho, pode crer? O estegossauro é um arquétipo universal. Jung era dos nossos” (é, disso não dá pra discordar).


YONAGUNI (JAPÃO)

Próximo à ilha de Yonaguni, no arquipélago de Okinawa, foi descoberta uma estrutura submersa com escadarias largas, plataformas em ângulo reto, paredes lisas e supostos símbolos esculpidos na pedra rocha, lembrando ruínas arquitetônicas. Isso, mais uma vez, gerou discussão, e novamente tivemos uma reunião dos maconheiros cientistas. E, mais uma vez, foram as ideias brilhantes de Murilo Rocha que salvaram os cientistas de terem que admitir a verdade dizer que não tinham explicação para aquilo. Ele propôs: "Sóóó..., essas estruturas submersas, elas foram talhadas pelas ondas, pode crer? Foi a Mãe Natureza. Ela é caprichosa." Ao que todos responderam: "Sóóó..., a Mãe Natureza. Pode crer. Foi isso mesmo. Muito loco."

Entretanto, houve um único cientista naquele dia que não concordou com esse disparate: o geólogo Robert Schoch [Robert Schoch – Wikipédia], que sempre foi de fumar pouco. Ele argumentou que de forma nenhuma aquelas formações poderiam ser naturais, e que o local estava a cerca de 25 metros de profundidade, o que indicava submersão durante o fim da última era glacial — época compatível com os relatos de civilizações antigas, destruídas por cataclismos. Isso gerou intenso debate, no qual foram ditas coisas como: "Are you crazy, man? How much did you even smoke?", que traduzindo seria algo do tipo: "Seu maconheiro, safado, sem vergonha, ladrão de galinha", e "Do not dare doubt Mother Nature ever again", que seria algo como: "Sua mãe trepano, fié da puta!" Por fim, Robert Schoch se cansou e disse: "Enough! I'm done with this madness", que pode ser entendido como: "Chega de brincadeiras! Não aguento mais essa merda de... reunião de maconheiros" (com o perdão da tradução, pois foi Eduardo Terra quem traduziu).

Yonaguni
Imagem mostrando claramente a diferença entre a formação natural de Yonaguni (esq), e uma feita pelo homem (dir)


Depois desse episódio, Robert Schoch não voltaria mais a fumar, e nem a participar das reuniões. Os outros, por sua vez, estavam muito ofendidos por terem sido chamados de maconheiros. Mesmo assim, se recompuseram, e decidiram, de comum acordo, que a hipótese de uma civilização submersa seria descartada por padrão. Novas explorações, ou análises mais invasivas, não seriam autorizadas, e qualquer questionamento seria tratado como pseudociência ou racismo (nesse caso, tá mais pra machismo, por duvidar que a Mãe Natureza seria capaz desse feito). Era tudo obra da Mãe Natureza... que dessa vez resolveu brincar de arquiteto, com régua e esquadro. Vou pedir pra Mãe Natureza reformar minha casa da próxima vez. Os pedreiros são muito enrolados, nú.


AS PIRÂMIDES DO EGITO

A Grande Pirâmides de Quéops continua sendo a maior humilhação da engenharia moderna. São mais de 2 milhões de blocos de pedra, alguns pesando até 70 toneladas, alinhamento perfeito com os pontos cardeais, proporções matemáticas avançadas, e uma precisão que faria qualquer arquiteto atual pedir demissão. E tudo isso, segundo os egiptólogos, foi feito, mais uma vez, com a força do braço escravo (será que não dava pra recuperar a genética desses escravos não? Pra usar nos pedreiros de hoje...), com cinzel de cobre, corda, régua de madeira e fé nos deuses (essa nunca falha). E, claro, sem uso da roda (que é uma invenção muito moderna e complexa pra quem só sabia fazer pirâmides). Milhares de trabalhadores puxando blocos de pedra sobre toras de madeira encantadas pelos deuses (as mesmas que os romanos usariam depois em Baalbek, são eternas), guiados por engenheiros que estudaram uma ciência inferior à nossa, mas com obras que os engenheiros atuais não conseguem realizar (dizem que os antigos construíam pirâmides porque era mais fácil do que construir prédios, mas até hoje ninguém construiu uma pirâmide igual pra mostrar o quanto era fácil. Tipo o Chapolin falando: “Sim eu posso... Sim eu posso...”).

Mas, dessa vez até os arqueólogos admitiram que, embora os escravos tivessem força de Sayajin suficiente, a pirâmide tinha quase 150 metros. Não há suporte que chegue nessa altura. Então, não tiveram outra escolha senão se reunir novamente pra fumar maconha sob o pretexto de discutir ciência. A brisa dessa vez foi que eles usaram rampas, feitas com as toras de madeira encantadas (tô desconfiando que eles acreditam de verdade nessa madeira encantada, não é só brisa). Murilo Rocha teria dito: "Sóóó... Os deuses eram parça dos antigos, pode crer? Não tinha essas coisas de leis da física. Daí nós ficamo materialista, ta ligado? Agora temo que fazer tudo com nossas mãos. Antes não era assim." Ao que todos responderam: "Sóóó... Pode crer. Antes nem precisava plantar a erva, ela dava sozinha."

Entretanto um deles, que estava em abstinência religiosa devido ao Ramadã, Dr. Zahi Hawass [Zahi Hawass – Wikipédia], maior egiptólogo do mundo, e considerado o guardião-mor da cronologia oficial da história, fez os cálculos, e descobriu que rampas frontais gastariam mais material do que a própria pirâmide (quanto de madeira será que os deuses encantaram?). Então, propôs uma rampa circular, ao redor da pirâmide, mas esqueceu de incluir o comprimento dos blocos nos seus cálculos, de forma que não dava pra eles fazerem as curvas (falei que eles não eram bons em física). Ademais, isso não eliminava a necessidade da madeira encantada. Fato é que nada jamais provou nenhuma dessas alegações (tirando os desenhos fantasiosos em livros didáticos).


Dr. Zahi Hawass
Dr. Zahi Hawass, mostrando todos os quartos e corredores por onde a múmia do Faraó podia transitar



Outra brisa que surgiu nessa reunião foi que as pirâmides eram túmulos, embora nenhuma múmia tenha sido encontrada dentro delas, nem nenhuma inscrição dizendo: “aqui jaz o faraó...” (mas, quando é uma teoria sem evidências, não é pseudociência?). Foi aí que o Dr. Hawass disse sua famosa frase, que está no início deste artigo, nas citações: "Simplesmente esqueceram de colocar o corpo do Faraó. Isso era muito comum, e não invalida a hipótese de um túmulo" (não tenho certeza se o Ramadã já tinha acabado quando ele disse isso). Tem também o problema daquelas enormes câmaras e dutos internos que, além de serem inúteis em um túmulo, os engenheiros e arquitetos de hoje mal conseguem explicar teoricamente como foram feitos, muito menos fazer igual. Mas, a essa altura eles já estavam fumados demais, e não saiu mais nada dessa reunião.


A BATERIA DE BAGDÁ

Entre os artefatos mais desconcertantes da antiguidade está a chamada “Bateria de Bagdá”, descoberta em 1936 na vila de Khujut Rabu, perto de Bagdá, no atual Iraque. Trata-se de um pequeno vaso de cerâmica contendo um cilindro de cobre e, dentro dele, uma barra de ferro — estrutura praticamente idêntica à de uma pilha galvânica moderna. Testes demonstraram que, ao ser preenchida com suco de limão ou vinagre, a engenhoca produz corrente elétrica. Aparentemente, alguém descobriu como gerar eletricidade — e decidiu guardar esse segredo tão bem que nem seus descendentes souberam que tinham uma Cemig ancestral no porão (não, esse trem era melhor que a Cemig. Agora sim, fui racista com o povo do Oriente Médio).

Nova reunião dos maconheiros cientistas revelou que o artefato era usado para armazenar pergaminhos (para eles desenrolarem automaticamente, bem pensado). Um grupo minoritário, que fumou além da conta, sugeriu que o artefato serviria a algum tipo de ritual místico (uma bateria pra dar força pra prece chegar até os deuses, genial) ou até mesmo satânico (não conheço muito de satanismo, mas... "Sóóó..., pode crer"). Tentaram, então, repetir o ritual, e acabaram, inadvertidamente, invocando espíritos malignos, que lhes disseram: "A erva vai acabar no mundo em 2045". Ao ouvirem isso ficaram desesperados, transtornados, e saíram correndo, desenfreados e sem rumo, urrando ("Uuuhhhg...") e gritando coisas do tipo: "Oh my God! We're fucking doomed!", que traduzindo seria algo do tipo: "Vamo embora daqui que nois tamo fudido!", "Fucking spirits, why would you curse the ganja?", que seria algo como: "Maldição! Vai tomar no cú, seus vermes!", e também: "Jesus Christ! Go back to hell, you demons", que pode ser entendido como: "Socorro! Cadê o Padre Quevedo quando a gente precisa dele?" (na tradução livre de Eduardo Terra).


Cientistas invocando espíritos malignos
Maconheiros Cientistas invocando espíritos malignos (para fins acadêmicos)



Seja como for, o fato é que a hipótese de uso eletroquímico foi totalmente descartada como “sem evidência” (colocar vinagre e fazer o trem funcionar não conta como evidência). Dr. Hawass disse: "Os povos do Oriente Médio, criaram uma pilha por acaso, ao tentar fazer um vaso. Isso era muito comum." Sim, já era esperado que a arqueologia não admitisse que alguém pudesse ter tropeçado em princípios eletroquímicos 2 mil anos antes que o branco europeu Alessandro Volta (qualquer semelhança com racismo é mera coincidência).

O passado pode ter deuses, pirâmides e escravos turbinados, mas nunca fios desencapados.


A ESFINGE: A ESCULTURA QUE NINGUÉM ADMITE NÃO ENTENDER

A Grande Esfinge de Gizé, aquele leão de pedra com cara de faraó mal-humorado, segundo a arqueologia, foi esculpida pelo Faraó Quéfren, depois de acordar particularmente inspirado em uma manhã de terça-feira, por volta de 2500 a.C. Até aí, tudo bem. Nenhuma lei da física violada. O problema é que há marcas de erosão antigas no corpo da esfinge, que Robert Schoch interpretou como tendo sido causadas por água da chuva, e aquela região só teve clima chuvoso há mais de 12.000 anos, na Era do Gelo.

Incomodados com as ideias subversivas do dissidente Schoch, nossos amigos se reuniram novamente. O grupo tava reduzido dessa vez. A galera que fez a brincadeira do copo lá não apareceu. Enfim, lembram de Ronald Mallett, da tese da máquina do tempo? Pois é. Sua tese foi usada pelos maconheiros cientistas, liderados pelo Dr. Zahi Hawass, para explicar a erosão por água da chuva. Acontece que eles não contavam que o próprio Ronald Mallett voltaria atrás, e admitiria que sua ideia havia tinha sido um delírio (ele não disse, mas a gente sabe de onde veio esse delírio). Muito preocupados com a possibilidade de as pessoas começarem a pensar por conta própria, os egiptólogos se apressaram em apresentar teorias alternativas. Dr. Hawass e companhia, então, propuseram que a erosão teria sido causada pela areia e pelo vento, o que é muito plausível, especialmente em um lugar onde se usavam toras de madeira encantadas pelos deuses. A areia também devia ser encantada.

Baixo relevo encontrado pelo Dr. Zahi Hawass
Baixo relevo encontrado pelo Dr. Zahi Hawass dentro da Pirâmide de Quéfren, que comprova a tese sobre a erosão da Esfinge


Dr. Hawass também insistiu que escavou tudo ao redor da Esfinge (durante o Ramadã, ele garantiu), e não encontrou nada mais antigo do que 2500 a.C. Bom, talvez ele pudesse ter escavado mais fundo, e considerado a hipótese de ter havido um "gap" de civilização, um período onde a civilização foi reduzida a caçadores/coletores, depois de um cataclismo. Mas, isso vai contra o dogma a premissa da arqueologia ortodoxa tradicional, e portanto é chamado de pseudociência.

Enquanto isso, qualquer tentativa de investigar as câmaras misteriosas sob a Esfinge (sim, elas existem, não são brisa) é tratada como "heresia arqueológica" “não relevante”, embora pudesse reescrever a história inteira da humanidade. Mas, quem se importa? A profecia dos espíritos sobre 2045 é muito mais importante ("Pode crer. Nisso a gente concorda. Tamo preocupado mesmo, veio. Imagina sóóó...? O fim da erva... Vai ver foi esse o cataclismo que destruiu essas civilizações antigas ... O que? Eu não falei nada. Foi brisa sua, irmão").


GÖBEKLITEPE: A MACHADADA FINAL

Em 1994, a turma dos maconheiros cientistas sofreu um duro golpe (não sei se pior do que a profecia dos espíritos, isso é discutível). Na região da Anatólia – Turquia, foi descoberto o sítio arqueológico de Göbeklitepe, contendo pilares de pedra em forma de T, pesando de 10 a 20 toneladas, transportados por centenas de metros sem roda nem animais de carga, dispostos em alinhamento astronômico, com diversos animais esculpidos em relevo com precisão milimétrica e com ferramentas de pedra (até aqui, sem novidades, um pouco de tudo que a gente ja viu). Acontece que muitos desses animais não eram naturais da Anatólia, mas de diversos lugares do mundo (ok, esquisito, mas nada que uma boa brisa não resolva). Também se concluiu que o sítio foi enterrado intencionalmente por aqueles povos, antes de irem embora (isso é bizarro. Não sei se vai ter erva o suficiente).

Mas a machadada final veio quando os próprios arqueólogos dataram o sítio em mais de 11 mil anos (no tempo em que o Homo sapiens andava pelado e puxava a Mulher sapiens pelo cabelo). A civilização mais antiga reconhecida, a Suméria, tem 5 mil anos. Há 11 mil anos os homens não deveriam passar de caçadores/coletores nômades.

Aquilo era demais. Eles já estavam muito abalados com a profecia do fim da erva, agora isso. Não teve reunião, não teve nada, só choro e ranger de dentes. Alguns tentaram propor teorias isoladamente, dizendo que aqueles povos eram, na verdade, semi-nômades, que se reuniam periodicamente pra algum culto religioso (o que contraria toda a arqueologia, que diz que aquele nível de sofisticação só pode ser alcançado por povos sedentários, com agricultura). Alguns disseram que os alinhamentos astronômicos eram coincidência, enquanto outros disseram que eles não existiam (começaram a divergir, estavam confusos, desesperados). Muitos conversaram entre si, buscando consolo, e saíram frases do tipo: "So this is how it ends... we as a bunch of losers?" que seria algo como: "Vamos ser obrigados a torcer pro Botafogo agora?", "It's over, man. We're fucked for good!", que seria algo do tipo: "Fui arrombado pelo Negão da Piroca", e a mais forte de todas: "I'm quitting science and becoming a redneck", que pode ser entendida como: "Vou virar viado e me mudar pra zona rural de Campinas".

Não sei quem traduziu as frases dessa vez. O momento era muito triste, achei melhor respeitar. O que sei é que tudo isso abriu caminho para que a verdade começasse a vir à tona, e estudiosos, antes marginalizados, ganharam voz. Um deles é o jornalista Graham Hancock [Graham Hancock – Wikipedia] (que não fuma e fala a verdade), autor da série documental "Revelações Pré-históricas" [Revelações Pré-históricas – Trailer 2ª Temporada – YouTube], disponível na Netflix. Ele estuda o trabalho de cientistas do mundo todo e afirma que "nós somos uma civilização com amnésia", sugerindo que os vestígios de uma antiga civilização estão por toda parte — e mesmo assim nós esquecemos dela (provavelmente por falta de backup).


Cientista conformado com seu destino
Cientista conformado com seu destino (esq); O destino (dir)




O que destruiu essa civilização? Bom, há algumas hipóteses. Segundo Platão foi a ira de Zeus e Posseidon. Segundo os hebreus, a ira de Yahweh. Não foge muito disso. Mas a ciência sóbria que Hancock investiga tem uma hipótese científica: há cerca de 12.800 anos, durante o evento conhecido como Dryas Recente (Younger Dryas), a Terra foi atingida por fragmentos de um cometa, causando incêndios globais, inundações, tsunamis e mudanças climáticas súbitas, o que teria aniquilado uma civilização avançada da pré-história — da qual restaram apenas mitos e ruínas, como Göbeklitepe. Os relatos de dilúvios, que existem em culturas do mundo todo, também são explicados por essa teoria (se você é um religioso não-criacionista-jovem, ela pode te servir). Mas, isso é outra história. Assistam à série na Netflix. Logo no primeiro episódio ele entrevista o Dr. Danny Hilman Natawidjaja, lembram dele? Enfim, não tem como não gostar.

E, se chegaram até aqui, caros leitores encarnados, obrigado pela paciência, e por apreciarem este humor pseudocientífico.








Alan Mathison "Fantasma de" Turing

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a opinar.